Artigos

 Porque ser Evangélico ou Católico por pe. Sílvio Mocelin


   

Estamos no Ano da Fé, no qual queremos aprofundar os fundamentos de nossa fé. Escrevi o presente artigo para ajudar pessoas que desejam sinceramente buscar a Deus e ter uma fé que salva.

 

Jesus fundou uma única igreja e deseja ardentemente que haja um só rebanho e um só pastor (Jo. 10,16) e que todos sejam um como Ele e o Pai são um (Jo. 17,21). A divisão e multiplicidade de igrejas, com doutrinas diversas e contraditórias, são um contra testemunho porque a divisão não é obra de Deus.

 

Por isso com razão, quem quer ser discípulo de Jesus, nessa confusa multiplicidade de igrejas cristãs, deve procurar critérios para discernir qual seja a Igreja verdadeira. Um dos critérios é analisar os princípios de uma determinada igreja para saber se concordam com as notas que Jesus quis dar à sua Igreja. 

 

Vamos comparar os princípios que baseiam as igrejas evangélicas e a católica com a Palavra de Deus.

 

São princípios fundamentais das igrejas evangélicas:

 

1º: A justificação pela fé sem as obras. Lutero considerava esta tese como central dentro da sua ideologia, «artigo do qual nada se poderá subtrair, ainda que o céu e a terra venham a desmoronar» (Artigos de Schmakalde, 1537).

 

2º: A Bíblia, sujeita ao livre exame, é a única regra de fé ou autoridade nas igrejas evangélicas: cada crente crê ser diretamente iluminado pelo Espírito Santo e por isso não precisa de pastor ou qualquer outra autoridade para interpretar a Bíblia.

 

         3º: A negação de intermediários entre Deus e o crente.


       O Protestantismo dá valor decisivo à atitude do individuo diante de Deus; segundo a ideologia reformada, é a fé subjetiva nos méritos de Cristo que garante a salvação. Em consequência, pouca margem aí resta para se conceberem dons de Deus que permaneçam extrínsecos ao indivíduo e a este comuniquem os méritos do Salvador. Em outros termos: não tem espaço para canais transmissores da graça, como sejam ritos e práticas a serem administrados por uma sociedade visível (a Igreja) e por uma hierarquia de ministros oficialmente instituída. Para o protestante, entre o homem justificado pela fé e Deus, não há outro Sacerdote senão o Senhor Jesus invisível que está nos céus (a prolongação da Encarnação através da Igreja e dos sacramentos é depreciada); também não há outro Mestre senão o Espírito Santo, que fala nas Escrituras e no íntimo de cada alma, sem se servir de algum magistério visível e objetivo.

 

Qual é o a base evangélica destes princípios? Eles estão de acordo ou contradizem verdades bíblicas? Vamos analisá-los.

 

1º. (A justificação pela fé sem as obras) Não há dúvida, a Escritura ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente outorgada aos homens pelos méritos de Jesus Cristo (cf. Rom. 5,8s); o homem não pode merecer o perdão, mas deve aceitá-lo contritamente, crendo no amor de Deus e entregando-se humilde a esse amor. 

 

Lutero, para ensinar a justificação só pela fé, sem obras, falsificou a Palavra de Deus, em Rom. 3,20, quando ensinou que... “diante de Deus ninguém é justificado pelas obras”, omitindo a palavra “obras da Lei”, isto é, obras da Lei mosaica. Além disso desprezou a Palavra de Deus quando rejeitou a Carta de S. Tiago (2,12-26) porque ela o contradiz: “Se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso”?.. Assim também a fé, senão tiver obras é morta em seu isolamento”. “Estás vendo que o homem é justificado pelas obras e não simplesmente pela fé”. Gal.5,6: ...”a fé que opera pela caridade”.


2º. (A Bíblia, sujeita ao livre exame, é a única regra de fé) Em parte alguma a Bíblia afirma que ela é a única regra de fé e autoridade? Além disso, é pressuposto falso identificar a Bíblia com a Palavra de Deus. Para perceber isto basta verificar a verdade histórica nos perguntando: a Bíblia nasceu da Igreja ou a Igreja nasceu da Bíblia? Foi a Igreja que escreveu a Bíblia e existiu muito tempo antes de haver Palavra de Deus escrita. A Bíblia também não diz nada sobre o cânon dos livros bíblicos inspirados. A Igreja nasceu da Palavra de Deus, mas foi ela que escreveu os livros bíblicos e definiu quais eram os livros inspirados. Portanto a Igreja depende da Palavra de Deus, mas a Bíblia depende da Igreja. A inverdade destes princípios fundamentais das igrejas evangélicas falseia todas as igrejas evangélicas. De resto, verifica-se que as igrejas evangélicas tendo abandonado a venerável Tradição transmitida desde os inícios do Cristianismo seguem uma tradição, evidentemente humana, a que deu início tal fundador. Cada denominação de «reformados» criou uma tradição própria de interpretação da Bíblia.


3º. (A negação de intermediários entre Deus e o crente) Na Bíblia está evidente que Jesus escolheu os Apóstolos e os enviou com a missão de evangelizar, escolheu Pedro como Chefe da Igreja, instituiu o Magistério, isto é, a missão e autoridade de governar, ligar ou desligar, responsáveis pela ortodoxia da fé, além de constituí-los ministros dos sacramentos. Se os evangélicos fossem coerentes com o segundo e terceiro princípios não deveriam ter pastores, deveriam ser uma igreja “espiritual”, desencarnada, sem intermediários.

 

A Igreja católica ensina o oposto destes três princípios das igrejas evangélicas, isto é, a justificação pela fé e pelas obras (Mt. 7,21-27; Gal. 5,6; Jo. 15,14; Tg. 2,14-26), a Bíblia e a Sagrada Tradição como Palavra de Deus, legitimamente interpretadas pelo Magistério eclesial (A Igreja, pelo Magistério,  desde o início travou dura luta contra falsos profetas para manter a ortodoxia da fé.  Veja: At 19,13-16; 20,29s; Gl. 1,6-9; 2Ts.2,2ss; 2Tim.4,3ss; Tit 1,10s; 2Ped.1,20s; 2Ped.2,1ss; 2Ped.3,3s+15ss; 1Jo.2,18-22; 4,1-6;  2Jo.7-9;  Apoc. 2,14ss; 2218s. Mt.24,23s; 1Cor. 15,12-21,  1Tim. 1,3-7; 1Tim. 4,1-11; 1ª. 2Tim. 6,3-10.  2Tim. 2,14-18; Judas 3s; + 17-19; Atos 13,6-12). Especificamente sobre o Magistério eclesiástico, consulte: Mt. 28,18ss; Jo. 16,12s; Jo.14,26; Mt.16,19; Lc. 22,31s; Jo. 21,15ss; Lc. 10,16; Jo.15,16; At. 20,28).

 

Caro amigo e irmão de fé, estude a Palavra de Deus e compare qual igreja está de acordo com ela. Se precisar, estou às suas ordens para outros esclarecimentos.

 

Pe. Sílvio Mocelin - Paróquia São Pedro e São Paulo


Fonte: pe. Sílvio Mocelin
Postado em: 18/02/2013 às 14:01:53



Pesquisar no Site


  • Newsletter

  • Paróquia São Pedro e São Paulo - Diocese de Ponta Grossa - Telêmaco Borba - Paraná
    Sociedade Beneficiente São Pedro - Fone: (42)3272 8557 / (42) 3272 8930 - pascom@pspsp.com.br
    Está obra de evangelização não possui fins lucrativos e é custeada através do dinheiro do dízimo
    Desenvolvido por Rinaldo M. Heil